quinta-feira, 17 de julho de 2008

serpente do mar



a noite pesa tanto nas ervas
que tropeço nesse verde de seda
nesta sede antiga
de precipício
que me divide o afago lento
morno
gotejante

serpenteio
e encaixo-me
na vingança secreta
dos dias sem nós
nessa promessa velada
de nos despirmos
(despedirmo-nos)
um do outro
horizontalmente

e pouco a pouco vou ficando sonata
como se fosse possível
com música
o adeus e o pecado num copo com gelo

no tempo exacto
em que trocamos de alma
de água
de suor
esquecidos do frio
no desafio constante do fim
na ânsia do jogo
onde ganha a alusão dos sentidos
os não e os sim
que vêm de dentro.

“Adoro quando a tua sede me provoca”
Dizes tu.

e fico ali
na maresia da espera
desse instante em que o Verão não acaba mais,
quando eu não sou de mais nada

senão das tuas mãos

Eme


(imagem de Pedro da Costa Pereira)

3 comentários:

Anónimo disse...

Eme, muita sensualidade nas tuas palavras..gosto muito, é a tua forma de estar na vida..sempre muita entrega :)
Beijinho

sininha

Marca de Água disse...

Patty,
gosto que gostes...
e quero ler-te tambem
beijinhos
;)**

Luís Filipe Cristóvão disse...

muito bonito.

“Adoro quando a tua sede me provoca”

:)