segunda-feira, 6 de outubro de 2008

antes que a neve derreta
estrangulas a noite com soluços
nos beijos roubados ao fim da tarde
neblina de íntimos
nos véus do desejo

o sabor da maça madura,
o desvario ácido do pecado

este gosto vermelho que consome a voz
o veneno
o vermelho da casca
o veneno
que vem do vermelho
de fora

um lume aceso na cintura
a dança do pecado
quando as mãos são serpentes vivas
com o desejo no meio
qual lua transparente e frágil
esta lebre assaz vermelha
maça mordida
a urgência da carne
e a seguir os sinos

embriagada de vertigem e de gestos
leveza de dança nua em pleno mar de tulipas
como faísca em brasa queimando o gerúndio

queimas-me
até eu sentir que não tenho corpo
nem alma
mas plena de tudo

num transbordar de noite
de febre
de mar
e indecência

Eme

1 comentário:

Paulo Jorge disse...

Nem sei bem porquê... mas consigo ser sempre surpreendido de cada vez que visito esta fonte... Obrigado