quinta-feira, 4 de setembro de 2008

calor vermelho fogo


quando te tenho
num limão doce que arde
um desejo atordoado de silêncio
amazona
dentro de mim
dentro de ti
selvagem
ávida de rosa em botão
entre a língua e o céu da boca

corcel alucinante
em frenesim de desejo
vendaval de raiva e sal
em pormenor detalhado de ópio
cravo-te as unhas
num rasgar de alma
e quadris
cordões de suspiros desatados
escritos por extenso
a suor

a lascívia das palavras
no limite do abismo contínuo
o êxtase
contraindo a carne
expurgando o licor denso
na lenta agonia do dia claro
uma vez
e outra vez
e outra vez

e sinto o calor vermelho do teu sangue quente
que se mistura com a meia noite da ponta dos meus dedos
de verniz rubro
brilhante

Eme

3 comentários:

Com Tintas e Pincéis disse...

Gosto da tua poesia. Tem muita força e muito sentimento... Parabéns!

Nilson Barcelli disse...

Escreves poesia como poucos.
Já tinha gostado da primeira vez que cá vim e hoje, que li mais alguns poemas, já não tenho dúvidas (se é que existiam...) que escreves poesia com uma maturidade notável. Parabéns.
Este belíssimo poema, cheio de sensualidade, é "apenas" um exemplo da magnífica poesia que fazes.
Beijinhos.

pedro disse...

há na tua escrita a vivencia do quotidiano perfeito dos afectos, despida de preconceitos revelas a alma na sua simplicidade, na sua essencia...
mostras a luz sem metaforas na simplicdade dos gestos e do toque, na ternura de um rubor de pele leve e doce...
vir aqui é assumir o ser sobre o nao ser...
o sentir sobre as máscaras, os gestos sobre o racional...
vir aqui é amar, todo um mar... amar como um todo e não como uma ladainha de alma...
amar um corpo, assumir um corpo... amar todos os sonhos...

obrigado por este magia que revlas neste espaço... das-nos asas...
beijo