terça-feira, 3 de junho de 2008

Cheiros

Gosto de cheiros.
De glícinas em cacho
cadentes
Aquele cheiro lilás de calor e quintal com cores.

De café com leite
A fumegar.

Gosto do cheiro da terra
húmida
quando o arco-irís se desenha lá em cima.

Gosto do cheiro
da intensidade
De um olhar verde-água
Num dedilhar de viola.

Gosto do cheiro a ânsia
De lume.
Gosto daquele cheiro que tem um não sei quê
de queda.
Um não sei quê de céu
Ou de mar em chamas.
Quando a ponta dos dedos
sussuram indecências
na pele.

quando a claridade se escapa das mãos
e brinca de olhos fechados
entornando os silêncios
os perfumes
e as vontades.

Gosto do meu cheiro
Quente
Aquele cheiro vermelho
Quando a tua figura se desenha no umbral da minha porta
E me visto de lua.
Aquele cheiro de fêmea louca
quando nasço
sucumbo
desfaleço
e
renasço.


Eme

1 comentário:

Ricardo disse...

Nao tenho palavras.
Adorei de verdade.
Muito, muito bom.