sexta-feira, 14 de novembro de 2008


em fim de tarde de um domingo frio

e eis que sou margem de rio
na ponta do pincel
estilete de tinta
a tinta azul escura
escuro o azul
azul a dança
inventada num tempo sem pressa
quando visto o meu corpo com a tua ânsia
e me encharcas no teu suor
entardecido
anoitado

depois é esta fogueira que me dança salgada na carne
um gozo secreto e agudo
que dói
atrás do vento

que vem de dentro da alma
que se acetina debaixo da pele
na voragem da boca entreaberta
no travo de língua
sabor da sede com chocolate
ou este morrer de fome nas pontes
do abismo
à beira do Limbo


presa na linha do chão
nesta-ferida absoluta que saro na tua pele
e se agiganta
quando renasce essa sonata
que compões
cada vez que a ponta dos teus dedos
me toca

devagar deslizo na tua chegada de murmúrios
sem sabermos quando
e se
outra vez

nesta delícia de dúvida constante
suspensa
no céu aberto
e no sopro quente da nuca


Eme


Imagem: Dancers in Blue
de Edgar Degas

5 comentários:

Anónimo disse...

Adorei !!!!

Beijo-te

Miguel

rui disse...

Não há dúvida de q tens instinto para criar os poemas. Tens noção dos ritmos e sabes apurar a temperatura.
Já to tinha dito: gosto muito do q escreves.

Marca de Água disse...

Um elogio vindo de ti sabe muito bem.
Já te tinha dito Rui: és mto querido.

poeta_poente disse...

Muito muito... sem dúvida...

Digo... gosto... muito muito

Obrigado por passares pelo meu cantinho, principalmente por essa visita me ter trazido até aqui.

Observador Nato disse...

Gostei das tuas palavras. Obrigado pela visita pelo meu canto.