segunda-feira, 16 de junho de 2008

Palavras


As palavras.
Pergunto: será que as ouvimos?
Quando as dizemos?
Ou quando as escrevemos?

Nunca embrulhámos as palavras em papel de seda plissado.
Só as dizemos.

As palavras.
Palavras com som de ida
Palavras com nuances de volta
Palavras de veias
De facas
De filhos
De noites.

Mas palavras são só isso.
Palavras.
Basta entornarmos o som
E as palavras ganham asas
Voam
Já não pousam mais na tua frente
Desaparecem no infinito
Constroem casas
Idílios
Suicídios
Romances.

Desenham mais sons
De espanto
Sons de inverso
Sons de versos
Mais palavras
A dizerem esmola
a dizerem da loucura de bocas unidas
Ou de cortinas corridas.

Mas são só isso: palavras.
Que dizemos.

Sentir ?
As palavras ?
O contrario do contrário:
Ás vezes sentimos muito menos
Ás vezes sentimos muito mais.

Eme

1 comentário:

Paulo Jorge disse...

Reparo que existe sempre algo de sensual, de físico em teus poemas. Um "sentir" assim transparece um gostar muito grande... ou talvez não...