segunda-feira, 30 de março de 2009


só quando a preguiça se estende
lasciva e lenta
na areia morna
é que eu salto
da última gota de chuva
pintada de pétalas abertas

neste sabor salgado
que ainda me escorre
de baixo para cima
nesta véspera de raiz
os infinitos de céu e de água
num rebuliço de cinturas

a viagem das bocas entreabertas
neste absoluto declive
da memória

moldura de musgo
feito em gomos de língua
mastigando os dias
prendendo entre os dentes
o aroma da entrega

é sempre o teu fogo
que me afoga

nesta réstea de lua
no incêndio do céu
do teu grito desavindo
nessa chama com cheiro de asa
que me imigra no enredo da escada de ferro

quando a boca pede o gosto de ferida aberta
suspensa

quando o corpo se cansa e descansa
sãos sempre os teus nunca que eu grito no vazio
e é o teu corpo que eu derreto nas minhas veias
amor



Eme

Imagem: Foto de Alexander Kharlamav

3 comentários:

Paulo Jorge disse...

Saudade... obrigado por retornares a escrever. É sempre bom ler e tentar sentir a dor que o poeta sente... Beijo

rui disse...

:)
Muito bom.

Observador Nato disse...

muito lindo. quando o amor sufoca, toda a paixao é oxigénio...