segunda-feira, 19 de maio de 2008

Folhas


Nao quer
Mas quer
Nem sabe se é crer ou não querer.

Não sabe
Crê que quer assim
Inventa que não sabia o começo
Inventa que quer pensar
Em querer
Mas não quer.
Diz que não
O mundo não lhe existe
Mas insiste todos os dias
que o amanhã
lhe caia das mãos
Não vai crer
Que pode não querer o que agora quer
Ou é por não saber que quer
Que crê que nao quer por saber que quer.

Porque adormecer
é um acordar de manha de outono

no sonho da memória
na vertigem da Morte
Ou se quiseres

no instante
de querer
O pecado e a roupa
espalhados pelo chão
do quarto.

Nem sabe
Das folhas que disseram.
E secaram
inúteis
Debaixo do corpo.


Eme

1 comentário:

Paulo Jorge disse...

Deslumbrante escolha de sensações. Estou feliz por me mostrares mais um pouco do teu profundo ser. Gostei muito... por favor continua... obrigado.... beijo